O governo já chegou a um desenho definitivo sobre o futuro da Infraero, que prevê a divisão da estatal em seis partes (por áreas geográficas) para agrupar e conceder ao setor privado os 56 aeroportos administrados pela empresa.

Quem arrematar um “filé”, como Santos Dumont, por exemplo, levaria também pequenos aeroportos do Rio e Vitoria (ES). No caso de Congonhas (SP), o vencedor da licitação ficaria também com outros terminais paulistas e do estado do Mato Grosso Sul — seguindo o mapa de comandos regionais da Aeronáutica. O Brasil tem cinco regiões, mas a proposta prevê seis, justamente porque as duas joias da coroa (Santos Dumont e Congonhas) estão no Sudeste.

Segundo uma fonte a par das discussões, a ideia é adotar um modelo híbrido de privatização e concessão por blocos de terminais — que resultaria no fim do processo na extinção da Infraero. Já está decidido que a parte de controle de voo (torres) e os 1.900 funcionários desta área serão transferidos para a Aeronáutica, que vai assumir a Nav Brasil — nova empresa pública que está sendo criada — para essa finalidade.

A alternativa proposta para a Infraero é defendida pelos quatro ministros responsáveis pelo setor : Dyogo Oliveira (Planejamento); Maurício Quintella (Transportes); Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral da Presidência). É a melhor solução do ponto de vista técnico, disse uma fonte envolvida no assunto, porque ela resolve o problema da Infraero (que é deficitária), dos funcionários e dos investimentos. Também deve gerar uma receita estimada em R$ 50 bilhões para a União, considerando pagamento de outorgas e impostos.

Com a entrega de aeroportos ao setor privado, a Infraero perdeu receitas e passou a acumular resultados negativos — o que exige aportes seguido do Tesouro Nacional para fazer investimentos. A empresa também ficou com excesso de pessoal. Depois de um lucro de R$ 114,6 milhões em 2012, quando iniciou o processo, a estatal apresentou prejuízos nos anos seguintes, de R$ 2,6 bilhões (2013); R$ 2 bilhões (2014); R$ 3 bilhões (2015) e R$ 751,7 milhões em 2016. Os dados são da própria estatal.

Fonte: O Globo

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